quinta-feira, 23 de junho de 2016


Atiro com as flores de encontro às pedras do caminho para agarrar a tua voz que teima em estar calada …
Sabes? Mudei de casa!...
Agora moro dentro das letras do mar, e dispo-me dentro do céu para riscar as estrelas que querem nascer em noites como esta. Agora sou vendedora de ventos e de pétalas sorridentes. Agora rio quando quero e sou livre, como os pássaros que nunca voltam …mas adoram voar. Não me apetece escrever o sentido algum das coisas …se é que elas têm algum sentido … Abro as janelas de mim e teço com as mãos vazias, poemas que deixei de escrever porque não gosto deles … Meu amor transporto dentro dos dedos ausentes, da minha pele os beijos que tinhas guardados para a minha boca. Os quais fizeste questão de guardar dentro dos teus olhos … Guarda-os então nas noites em que o sol se esconde por dentro das cortinas feitas de conchas, e salpicos de areia. Hoje não te escrevo mais de mim … porque tenho de ir para casa vender flores.

( num livro feito de areia )

Ana teresa

( Pequeninasou )




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