sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pedaços de ti



 Encontrei alguns pedaços de ti, entre as réstias dos meus dedos. Mudos silêncios, que se acendem numa cadência sem perturbação alguma. Sinto-te cada dia mais perto no entanto, nunca te encontro senão no outro lado de mim. Existo porque sei que existes, e dás o tom colorido de um concerto de Vangelis, ou de uma canção de Brel. Pinto-te entre as ramagens dos pássaros em flor que desp...ontam nos meus olhos em cada nova madrugada. Já te pedi a primavera ... passou o outono, e nem uma folha amarelecida pelo tempo me chegou de ti. Hoje é inverno e peço-te um pedaço de mar. As mãos que te escrevem vão ficando cada dia mais seguras pelos dedos que te escrevem vestidos de saudade interior.Tenho saudades de definir com beijos as curvas do teu rosto. Provoco-me numa provacação lenta e, animada pela vida que me despertas. Nunca sei o dia em que chegarás cheio de rosas no colo para encheres as minhas mãos vazias de ti...O silêncio torna-se meu confidente nas madrugadas em que resisto a vestir-me de ti.A minha pele quer ouvir o som da tua pele... Os beijos esperam no tempo para serem dados. O mar, descansa comigo a meus pés sobre a areia demasiadamente bela, que me faz o favor de desenhar as letras do teu nome. Continuo a dedilhar as teclas do piano, já tão desafinado pelas músicas que escrevem o teu sorriso.Escrevo todas as noites poemas, daqueles que nenhum vento levará, nem a saudade vestirá com novo disfarce.O impressionismo das telas já desbotadas pelo tempo, chamam por mim ... mas, não hoje resolvi não te desenhar. Hoje resolvi ter-te completamente, e sómente dentro da minha alma !

Um beijo
Ana Teresa

sábado, 25 de junho de 2016

Diz sim à vida



Rir é fugir dessa ilha
Deserta que há em ti !
Sorri como se o tempo fosse um passatempo.
Deixa que essa ferida te mais não magoe.
Deixa que a vida em ti,
Corra, fuja, salte a sorrir.
Imagina-te imigrante do sonho.
Deixa que tudo se torne num sim!
Deixa que a infância
Volte com a brancura da sua inocência!
Deixa que essa paixão de viver
Te invada, te domine,
Te faça chorar a sorrir .
Mas …
… Diz sim à vida !

SPA

Pequeninasou
 Ana Teresa

quinta-feira, 23 de junho de 2016



Anda vem comigo desabotoar o tempo que pinta o céu. Anda, vamos afastar o fumo das nuvens de pó que permanecem no céu. Vamos descobrir as cores vivas do mundo, das flores. Vamos dançaras músicas todas que quisermos , como se em cada uma se soltasse um rasgo vivo de verde, de azul, de rosa, de amarelo.Vamos andar de braço dado dentro do mar que ondeia suavemente dentro das noites sem luar. Vamos vestir os nossos cabelos, como se ambos formassem um bailado único de uma cor só. Anda, desafio-te a colar estrelas no tecto do mundo , como se as palavras fossem simplesmente um modo de soltar risos... gargalhadas simples feitas não do pó das estrelas , mas de toda a essência que existe em nós. Anda, que os vidros são incolores e, a vida está aqui na esquina de um quadrado,como se este fosse esférico. Anda que as flores já sorriem, já soltam odores magestosos , como se fossem pétalas de rosas feitas de risos.Anda que já somos apenas e unicamente um só...Anda que a geometria já não cabe em parte alguma ,nem nos teoremas,nem os tratados,nem os filósofos e as filosofias. Anda que tudo é primavera. Soltam-se as gargalhadas das crianças que brincam com caricas .Anda, vamos brincar com elas. Vamos correr , saltar.

Anda vamos viver. Anda se ainda quiseres ...

Pequeninasou 

( num pedaço de mim )



No regresso ...




Empilhou as palavras escritas dentro de si, na espera de um verso irrepetível … Saudou as vestes da tarde que traziam rasgos coloridos de Van Gogh e, esperou pelo silêncio morno da noite que espreitava ali ao lado … Recostou-se na cadeira e pensou na calma que existe no sossego. Como se este pudesse por si só falar. Como as pedras a testemunharem o nascimento das flores. O corpo, esse deixara-o deitado entre papéis onde escrevia e descrevia o sorriso, sentado no seu colo, como que fechado em camas por fazer. Não queria pensar na noite. Nem quando se embrulhava dentro dela a esquivar-se da memória do rosto, que vestia a pele onde os dedos caminhavam. Esperaria por eles como quem espera pelo tempo dos acordes vestidos de senso. Somente abria desabafos no papel, como se conseguisse pintar as utopias que trazia dentro dos sonhos em branco.

E permaneceria assim até a luz rasgar o dia dentro dos seus dedos em flor. E levaria dentro dela as pétalas do mar em chama. 

( Num qualquer pedaço de mim)

pequenina

Olhar incolor vestido de lua




















Atiro com as flores de encontro às pedras do caminho para agarrar a tua voz que teima em estar calada …
Sabes? Mudei de casa!...
Agora moro dentro das letras do mar, e dispo-me dentro do céu para riscar as estrelas que querem nascer em noites como esta. Agora sou vendedora de ventos e de pétalas sorridentes. Agora rio quando quero e sou livre, como os pássaros que nunca voltam …mas adoram voar. Não me apetece escrever o sentido algum das coisas …se é que elas têm algum sentido … Abro as janelas de mim e teço com as mãos vazias, poemas que deixei de escrever porque não gosto deles … Meu amor transporto dentro dos dedos ausentes, da minha pele os beijos que tinhas guardados para a minha boca. Os quais fizeste questão de guardar dentro dos teus olhos … Guarda-os então nas noites em que o sol se esconde por dentro das cortinas feitas de conchas, e salpicos de areia. Hoje não te escrevo mais de mim … porque tenho de ir para casa vender flores.

( num livro feito de areia )

Ana teresa

( Pequeninasou )





Sorrio com os teus dedos cobertos de mar, repletos de rendas que despem o luar, e se disfarçam de nuvens que gritam o meu nome baixinho. Deixo que a ondulação do teu sorriso tranquilo abra o tempo que me percorre a alma e o ser, como quem escreve um bordado dentro das cortinas do sonho enamorado.
O suor dos teus olhos em flor, tem o sabor de morangos transparentes, como se fossem vidros pintados por poetas. 
Deixo que me tomes, e seguro em ti tentando tocar, como quem rasga levemente a tua pele na procura de sonhos adormecidos. 
Envolvemos os corpos num tempo sem tempo interminavelmente entregues à paixão que nos percorre o corpo e nos enche a alma.
Suspiro! Num suspiro profundo meio adormecido em êxtase, como quem baila dentro de gotículas de chuva. Flutuamos de mãos entrelaçadas e subimos os degraus das nuvens, que nos olham dentro do mais fundo e profundo do ser. Os nossos dedos beijam-se em cânticos de magia. A linha a que entregamos os nossos lábios sorri no crepúsculo das palavras escritas nas estrelas pintadas de azul, acobreadas de verde…


Hoje num pedaço de mim
( Pequenina)

Ana Teresa

Neblina


Ao longe o céu está nublado.
Não consigo ver,
Não consigo distinguir onde começa o irreal
E se perde o real!
Tudo é fumo leve 
Que se confunde comigo.
Tudo está coberto 
dessa camada densa de neblina.
os meus olhos não vêem .
Eu não esperei vislumbrar uma estrela …
Então teci com as minhas mãos 
As linhas do teu rosto.
Teci estrelas e astros onde só havia neblina.
Julguei ver-te surgir através dela 
Como se fosse um sonho enevoado
E fiquei assim… fascinada.
Mas tudo isso, era uma neblina distante,
Tudo era uma sombra passageira.
E já sem ver absolutamente nada,
Desenhei vendavais na minha alma
E não me perdi nessa neblina distante …
Tão distante … e tão perto de mim!
Atravessei-a como uma sombra que passa
Através da escuridão
E nada … Nada se quebrou em mim!

Ana Teresa
( pequenina sou )



Baixinho




A noite sorria envolta nos dedos dela, qual criança ante uma valsa. Os dedos corriam pelo teclado, em suspiros de festa e fantasia… Dizer-lhe … não! Escrever por entre as letras, as palavras que a lua sem saber dedilhara dentro dos dedos nus, onde os risos se estendiam em vagalumes de desejo … A pele essa ainda sabia respirar dentro dela… Qual letra de valsa nua … a rir, na areia escrita na areia húmida da praia, onde se despia para ver chegar a brisa quadrada da lua encantar a sua alma! Dizer-lhe? …Nunca se diz a alguém o que já sabe!… Sonha-se assim devagarinho, baixinho , para não acordar as estrelas que dormem ao relento. Envoltas em lençois de púrpura fina, qual palhaço na ribalta da vida… podia pedir-lhe a emoção … das palavras soltas … presas em versos transparentes …

( num qualquer pedaço de mim )

Hoje

pequenina


Madrugada





Senti falta dos teus lábios em redor do meu rosto, como se brincasse num cordel sem fim …
Como se Setembro tivesse passado, e eu ainda sentisse a vontade tão intensa de te querer… Mistérios que o tempo percorre dentro das minhas veias, como hinos de flores em crescimento, ondulante a bailar dentro do vento calado que me espera do outro lado de mim…
Sinto-te como uma brisa esvoaçante dentro dos dedos em flor … Mas saberei sempre, que ao mesmo tempo a espera dança num valsar calado inpresso , na memória feita de plumas enfeitiçadas … como rios ondulantes onde deslizam,as brisas da minha alma num voo completamente livre … Sorrio dentro de mim , como quem quer sentir a plumagem da alma a cantar dentro de um rio em flor ! Talvez pense, que te tenha dito tudo e, afinal escorreram dos meus dedos simples frases que senti, num qualquer canto de mim…
Recorto as facetas, aquelas multifacetadas onde me desenho e suspendo os meus braços em redor do luar … talvez aí … esteja eu dentro de ti … Talvez aí eu traga sorrisos de magia dentro dos dedos, e tu , me venhas ler …
Talvez as marés se rebolem ao som das borboletas em flor que desenham sem querer, traços indeléveis do teu rosto dentro de mim… 


Ficou a madrugada envolta em cores feitas pedaços de poeisia .
Desapareceste … fiquei só na praia onde o areal morno beijou levemente os meus lábios , aqueles encantados com os corais, e com o som suave dos búzios acobreados, pelas cinzas do teu sorriso perdido…
Atravessei as portas da sombra e nada , nada se quebrou em mim…

Deixei o sorriso pendurado na entrada da minha alma, talvez um dia quiça , quando voltares … o leias, como se fossem palavras minhas … Daquelas que sinto , quando brinco. Daquelas em que sou eu … quando sinto saudades dos teus lábios , inscritos nas minhas mãos…

( hoje num qualquer pedaço de mim )

pequenina

Letras espalhadas



 

 

Espalho agora sobre a cama as letras das palavras para te escrever daqui deste pequeno canto onde me sento . Como se as mesmas me conseguissem despir de mim. Abro as mãos em busca das letras para te escrever e sem querer delas saem beijos entrelaçados entre pétalas de flores que colhi hoje de noite num qualquer quintal do meu mundo. Escrevo-te agora com pontas azuis refletidas no espelho, as mesmas que ficaram na berma do passeio onde moro.

De dentro da ferrugem dos meus olhos saem chispas de fogo em lume que quero transcrever-te esta noite. O luar já brilha dentro das flores que se fecham com frio, e eu nesta bela nuvem carregada de amizade deixo as palavras sairem dos meus dedos, como se elas mesmas me vestissem. Parece que ando sempre nua ... Mas não ando... Espero que apareças numa qualquer noite de um qualquer dia para vestires o meu corpo com as linhas do teu  rosto  com as mãos cheias de ti e de tudo .As  cores escorregam pelas paredes dos quadros falsos de Van Gohg, e os morangos amadurecem na fruteira à espera que venhas em busca deles. Quero escutar a « Casa da Rússia » mas esqueci-me que não tenho o LP e o gira-discos está todo « afanado»  . Mesmo assim escrevo-te  ... atrevo-me a escrever-te as palavras que construí com as letras que apanhei desprevenidas em cima da minha cama ... vestida de lençois de seda pura para receberem o som rouco da tua voz calada que renasce em mim sempre que te leio, ou escuto.

Um beijo num qualquer pedaço da lua onde moras nesta noite

pequenina

 
Ana Teresa

Agora que as palavras dormiam






Decidira deixá-las adormecidas entre as folhas , que nem queria abrir …
Decidira deixar as palavras quietas e caladas dentro das pétalas das flores … 
Decidira … que iria parar por um tempo …
Precisava pensar no sentido das coisas e do sentir. Afinal o sentir parecia algo tão efémero, que já nem se lhe via o rosto … aquele que decidira esconder lá dentro de si … fechado dentro da alma…
Alma palavra tão rebuscada mas com tamanha intensidade … nela cabia a vida toda…
Já tinha esquecido a alma que punha nos poemas que escrevia … para ficarem ali ao lado num livro suspenso, registado, mas intacto … Tudo nela permanecia intacto … Tudo nela pedia … Tudo nela suspirava … Tudo nela era um registo sem data… Voltaria no dia em que a lua se vestisse com outra roupa, e o mar … ainda se mantivesse ali debruçado a seus pés … como um « pequeno príncipe » que ela sem saber aprendera a amar…Um dos seus maiores defeitos era o sentimento de posse… Aquilo que gostava tinha de amar incondicionalmente. Sem máscaras , sem farsas, sem disputas, simplesmente tinha de amar o que sem saber já amava … Coisas simples que lhe aconteciam raras vezes pois não era uma predadora … Era uma mulher a quem a vida pedia momentos de silêncio … quando se sentia naquele paralelo de emoções… 
Chorar … não … sempre fora forte… Mas sentia que as pedras da rua queriam dormir dentro de si, naquele frio que a fazia estremecer, sem saber. Desiste … dizia-lhe a consciência… Esquece essa forma de sentir, arranja outra. Como? Replicava ela . se só conheço uma forma de sentir?… 
Daria um tempo ao tempo … afastar-se-ia das palavras como se elas não tivessem momentos … E não tinham … Escrevia-as com a doçura de quem confessa momentos … Iria dar tempo ao tempo , para tentar não sentir …como se isso fosse possível? …

( hoje num pedaço do meu mundo )



Pintei



Pintei na chuva, 
o sorriso dos nossos lábios
mudos de inquietação, 
a jura das nossas mãos.
O sol escapava-se no horizonte,
e nada mais ficou
que a nossa imagem, reflectida nas almas
a pintar por entre a chuva.
Desenhámos risos nas pedras
e dançámos sob o luar,
a magia que envolvia os nossos corpos ,

sózinhos por entre a chuva
as nossas mãos calavam
o que queríamos dizer.
As verdades que mentíamos,
as juras que fazíamos, e as nossas imagens
defeniam-se no horizonte do indefinido.
Paixão era tudo o que sentíamos,
era tudo o que os nossos rostos reflectiam.
Rodopiávamos as valsas mais fantásticas.
Olhávamo-nos como dois apaixonados.
Éramos nós que estávamos lá plor entre a chuva,
com um sorriso nos lábios ...
... Dizendo tudo o que sentíamlos.

Ana Teresa

( pequeninasou )

Os dedos gelavam com a procura de uma outra vida num outro paraíso sem data , sem distância , simplesmente feitos de sorrisos coloridos , aqueles que escorriam pelas paredes da alma nua.

Qualquer palavra que acrescentasse ao sentir iria sem querer dar a volta ao sonho adormecido no tempo , aquele que agora cantava dentro dela , numa súplica constante de paralelos diferentes, daqueles que ninguém entende … Eram palavras que jorravam , a amaciar o seu cabelo cor de púrpura translúcida , como se com eles vestisse o mar , como se com eles conseguisse agarrar os astros em plena dança ….
Não sabia bem ao certo as ruas , nem o nome delas. Andava , saltava com vontade de sentir. Queria a lua para levar consigo, a fechar as janelas do seu quarto, onde respondiam as flores em tons amarelos, desfeitas em sorrisos adormecidos. Descobrira o sentido de sentir, de vestir as palavras , como se pintasse telas pela noite dentro. A lua sempre presente … vestia o luar de estrelas em formas mágicas com odor a veludo transparente. Afinal … ainda que mal … ainda sentia a vontade profunda de sentir. 

Hoje num pedaço de mim

pequenina