Espalho
agora sobre a cama as letras das palavras para te escrever daqui deste pequeno
canto onde me sento . Como se as mesmas me conseguissem despir de mim. Abro as
mãos em busca das letras para te escrever e sem querer delas saem beijos
entrelaçados entre pétalas de flores que colhi hoje de noite num qualquer
quintal do meu mundo. Escrevo-te agora com pontas azuis refletidas no espelho,
as mesmas que ficaram na berma do passeio onde moro.
De
dentro da ferrugem dos meus olhos saem chispas de fogo em lume que quero
transcrever-te esta noite. O luar já brilha dentro das flores que se fecham com
frio, e eu nesta bela nuvem carregada de amizade deixo as palavras sairem dos
meus dedos, como se elas mesmas me vestissem. Parece que ando sempre nua ...
Mas não ando... Espero que apareças numa qualquer noite de um qualquer dia para
vestires o meu corpo com as linhas do teu rosto com as
mãos cheias de ti e de tudo .As cores escorregam pelas paredes dos
quadros falsos de Van Gohg, e os morangos amadurecem na fruteira à
espera que venhas em busca deles. Quero escutar a « Casa da Rússia » mas
esqueci-me que não tenho o LP e o gira-discos está todo « afanado» .
Mesmo assim escrevo-te ... atrevo-me a escrever-te as palavras que construí
com as letras que apanhei desprevenidas em cima da minha cama ... vestida de
lençois de seda pura para receberem o som rouco da tua voz calada que renasce
em mim sempre que te leio, ou escuto.
Um
beijo num qualquer pedaço da lua onde moras nesta noite
pequenina
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