quinta-feira, 23 de junho de 2016

Letras espalhadas



 

 

Espalho agora sobre a cama as letras das palavras para te escrever daqui deste pequeno canto onde me sento . Como se as mesmas me conseguissem despir de mim. Abro as mãos em busca das letras para te escrever e sem querer delas saem beijos entrelaçados entre pétalas de flores que colhi hoje de noite num qualquer quintal do meu mundo. Escrevo-te agora com pontas azuis refletidas no espelho, as mesmas que ficaram na berma do passeio onde moro.

De dentro da ferrugem dos meus olhos saem chispas de fogo em lume que quero transcrever-te esta noite. O luar já brilha dentro das flores que se fecham com frio, e eu nesta bela nuvem carregada de amizade deixo as palavras sairem dos meus dedos, como se elas mesmas me vestissem. Parece que ando sempre nua ... Mas não ando... Espero que apareças numa qualquer noite de um qualquer dia para vestires o meu corpo com as linhas do teu  rosto  com as mãos cheias de ti e de tudo .As  cores escorregam pelas paredes dos quadros falsos de Van Gohg, e os morangos amadurecem na fruteira à espera que venhas em busca deles. Quero escutar a « Casa da Rússia » mas esqueci-me que não tenho o LP e o gira-discos está todo « afanado»  . Mesmo assim escrevo-te  ... atrevo-me a escrever-te as palavras que construí com as letras que apanhei desprevenidas em cima da minha cama ... vestida de lençois de seda pura para receberem o som rouco da tua voz calada que renasce em mim sempre que te leio, ou escuto.

Um beijo num qualquer pedaço da lua onde moras nesta noite

pequenina

 
Ana Teresa

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