quarta-feira, 14 de junho de 2017

Neblina

Neblina



Ao longe o céu está nublado.
Não consigo ver,
Não consigo distinguir onde começa o irreal
E se perde o real!
Tudo é fumo leve
Que se confunde comigo.
Tudo está coberto
dessa camada densa de neblina.
os meus olhos não vêem .
Eu não esperei vislumbrar uma estrela …
Então teci com as minhas mãos
As linhas do teu rosto.
Teci estrelas e astros onde só havia neblina.
Julguei ver-te surgir através dela
Como se fosse um sonho enevoado
E fiquei assim… fascinada.
Mas tudo isso, era uma neblina distante,
Tudo era uma sombra passageira.
E já sem ver absolutamente nada,
Desenhei vendavais na minha alma
E não me perdi nessa neblina distante …
 Tão distante … e tão perto de mim!
Atravessei-a como uma sombra que passa
Através da escuridão
E nada … Nada se quebrou em mim!



Pequeninasou

Ana Teresa

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Chegaram os olhos …que já moravam dentro de mim…

Chegaram os olhos …que já moravam dentro de mim…

Impregnados de música … os olhos que deixaram em mim as palavras soltas que qualquer um  pode roubar, mas que ninguém pode sentir como eu as sinto assim vestidas de sons incolores.
Eram os teus olhos meu amor, que vinham vestidos com odor a rosas e súplicas cantadas dentro dos dedos em flor nas manhãs em que o sorriso entrava dentro de mim , repletos de músicas cantadas e sons da minha alma…Eram os teus olhos a rasgar as vestes dentro dos dedos da madrugada em flor. Eras tu  que não eras meu… mas com quem eu sonhava nas horas , que o tempo amaciava dentro do tempo…
Trazendo aos meus olhos  o sabor cortante dos teus. Eras tu…
Tu dentro do meu mundo , calmo, diferente…
A cortar a minha pele em cânticos incandescentes, qual espuma dentro do  meu mar.
Eras tu a desnudar um  mundo que já sabias ser teu. Mas que ousavas palmilhar em arestas multifacetadas de aromas de girassóis em flor. Porque tudo já era tão imensamente teu…
Qual loucura a fechar o infinito rasgado dentro de nós , em cânticos vagos de perfumes celestiais…
Tu sabias os espinhos com que me cortavas dentro dos teus dedos, fechados dentro dos teus olhos….

( hoje num pedaço de mim)

pequenina

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pedaços de ti



 Encontrei alguns pedaços de ti, entre as réstias dos meus dedos. Mudos silêncios, que se acendem numa cadência sem perturbação alguma. Sinto-te cada dia mais perto no entanto, nunca te encontro senão no outro lado de mim. Existo porque sei que existes, e dás o tom colorido de um concerto de Vangelis, ou de uma canção de Brel. Pinto-te entre as ramagens dos pássaros em flor que desp...ontam nos meus olhos em cada nova madrugada. Já te pedi a primavera ... passou o outono, e nem uma folha amarelecida pelo tempo me chegou de ti. Hoje é inverno e peço-te um pedaço de mar. As mãos que te escrevem vão ficando cada dia mais seguras pelos dedos que te escrevem vestidos de saudade interior.Tenho saudades de definir com beijos as curvas do teu rosto. Provoco-me numa provacação lenta e, animada pela vida que me despertas. Nunca sei o dia em que chegarás cheio de rosas no colo para encheres as minhas mãos vazias de ti...O silêncio torna-se meu confidente nas madrugadas em que resisto a vestir-me de ti.A minha pele quer ouvir o som da tua pele... Os beijos esperam no tempo para serem dados. O mar, descansa comigo a meus pés sobre a areia demasiadamente bela, que me faz o favor de desenhar as letras do teu nome. Continuo a dedilhar as teclas do piano, já tão desafinado pelas músicas que escrevem o teu sorriso.Escrevo todas as noites poemas, daqueles que nenhum vento levará, nem a saudade vestirá com novo disfarce.O impressionismo das telas já desbotadas pelo tempo, chamam por mim ... mas, não hoje resolvi não te desenhar. Hoje resolvi ter-te completamente, e sómente dentro da minha alma !

Um beijo
Ana Teresa

sábado, 25 de junho de 2016

Diz sim à vida



Rir é fugir dessa ilha
Deserta que há em ti !
Sorri como se o tempo fosse um passatempo.
Deixa que essa ferida te mais não magoe.
Deixa que a vida em ti,
Corra, fuja, salte a sorrir.
Imagina-te imigrante do sonho.
Deixa que tudo se torne num sim!
Deixa que a infância
Volte com a brancura da sua inocência!
Deixa que essa paixão de viver
Te invada, te domine,
Te faça chorar a sorrir .
Mas …
… Diz sim à vida !

SPA

Pequeninasou
 Ana Teresa

quinta-feira, 23 de junho de 2016



Anda vem comigo desabotoar o tempo que pinta o céu. Anda, vamos afastar o fumo das nuvens de pó que permanecem no céu. Vamos descobrir as cores vivas do mundo, das flores. Vamos dançaras músicas todas que quisermos , como se em cada uma se soltasse um rasgo vivo de verde, de azul, de rosa, de amarelo.Vamos andar de braço dado dentro do mar que ondeia suavemente dentro das noites sem luar. Vamos vestir os nossos cabelos, como se ambos formassem um bailado único de uma cor só. Anda, desafio-te a colar estrelas no tecto do mundo , como se as palavras fossem simplesmente um modo de soltar risos... gargalhadas simples feitas não do pó das estrelas , mas de toda a essência que existe em nós. Anda, que os vidros são incolores e, a vida está aqui na esquina de um quadrado,como se este fosse esférico. Anda que as flores já sorriem, já soltam odores magestosos , como se fossem pétalas de rosas feitas de risos.Anda que já somos apenas e unicamente um só...Anda que a geometria já não cabe em parte alguma ,nem nos teoremas,nem os tratados,nem os filósofos e as filosofias. Anda que tudo é primavera. Soltam-se as gargalhadas das crianças que brincam com caricas .Anda, vamos brincar com elas. Vamos correr , saltar.

Anda vamos viver. Anda se ainda quiseres ...

Pequeninasou 

( num pedaço de mim )



No regresso ...




Empilhou as palavras escritas dentro de si, na espera de um verso irrepetível … Saudou as vestes da tarde que traziam rasgos coloridos de Van Gogh e, esperou pelo silêncio morno da noite que espreitava ali ao lado … Recostou-se na cadeira e pensou na calma que existe no sossego. Como se este pudesse por si só falar. Como as pedras a testemunharem o nascimento das flores. O corpo, esse deixara-o deitado entre papéis onde escrevia e descrevia o sorriso, sentado no seu colo, como que fechado em camas por fazer. Não queria pensar na noite. Nem quando se embrulhava dentro dela a esquivar-se da memória do rosto, que vestia a pele onde os dedos caminhavam. Esperaria por eles como quem espera pelo tempo dos acordes vestidos de senso. Somente abria desabafos no papel, como se conseguisse pintar as utopias que trazia dentro dos sonhos em branco.

E permaneceria assim até a luz rasgar o dia dentro dos seus dedos em flor. E levaria dentro dela as pétalas do mar em chama. 

( Num qualquer pedaço de mim)

pequenina

Olhar incolor vestido de lua